sábado, 17 de janeiro de 2015

AO VIVO!

Supremo se fecha após desgastes e traumas do julgamento do mensalão

STF não deve exibir o julgamento de políticos que vierem a ser denunciados pela Lava Jato

Joaquim Barbosa dá entrevista enquanto presidente do STF, em 2014. / N. JR. (SCO/STF)
"Vamos fazer nosso trabalho, e não chicana, ministro", disse o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa ao colega Ricardo Lewandowski na última das várias e tensas discussões que marcaram o julgamento do mensalão e que ainda parecem ecoar no Plenário da maior Corte do país. Após julgar o maior caso de sua história em 53 transmissões de televisão e internet ao vivo — o que permitiu a milhares de brasileiros aprender, entre outras coisas, que “chicana” é um artifício para atrasar julgamentos —, o STF se prepara para tratar do novo maior caso de corrupção do Brasil sem expor seus ministros ao vídeo.
Nove meses depois desse último e desgastante embate público entre Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, o STF mudou seu regimento interno para deixar de julgar políticos com foro privilegiado no Plenário — desde maio de 2014, esses julgamentos são feitos pela Segunda Turma da Corte, composta por apenas cinco dos 11 ministros do tribunal. A mudança, que é questionada formalmente pela Câmara dos Deputados (leia mais em Câmara questiona mudança, abaixo), foi feita em nome da celeridade, mas uma fonte que frequenta os bastidores do Supremo garante que a maior discrição das deliberações da Segunda Turma pesou na hora de o tribunal optar pela alteração.
As sessões da Segunda Turma são abertas e qualquer pessoa pode frequentá-las, mas essas reuniões nunca foram transmitidas em vídeo, porque ocorrem ao mesmo tempo que as reuniões da Primeira Turma, e o STF nunca quis privilegiar um dos grupos com exibições ao vivo. O advento da internet, contudo, permitiria transmissões emstreaming de vídeo, mas, consultado pelo EL PAÍS, o Supremo informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “ainda não há previsão para transmissão das sessões das Turmas do STF”. Ou seja, se nada mudar até fevereiro, quando o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar a denúncia contra osestimados 100 políticos investigados pela Operação Lava Jato, o maior caso de corrupção da história do país será julgado longe dos olhos da maioria da população brasileira.
A Segunda Turma do STF comporta no máximo 235 espectadores — 126 em suas poltronas fixas e 109 em cadeiras que podem ser acrescentadas, a depender da necessidade. Para além dessas dezenas de privilegiados, quem quiser ter acesso direto a detalhes do julgamento de políticos pela Corte Suprema terá de ficar atento às imagens que as emissoras de tevê podem coletar durante 10 minutos em cada reunião das Turmas ou solicitar cópias da íntegra das sessões em áudio e vídeo à Secretaria de Comunicação Social do STF. Em vias do julgamento do maior caso de corrupção da história do país, a mudança divide o mundo jurídico.

Câmara questiona mudança


Apesar de a alteração de procedimento do STF ter ocorrido em maio de 2014, seus efeitos só foram sentidos de fato em outubro, quando apenas três ministros da Segunda Turma condenaram o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB) pelo vazamento de informações sigilosas da Operação Satiagraha — à época, ele ainda era delegado da Polícia Federal.
Na ocasião, a Câmara questionou a alteração no regimento do STF com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), pedindo que os parlamentares voltem a ser julgados pelos 11 ministros no Plenário. Com apenas três ministros no julgamento, Protógenes não teve nem a chance de solicitar um embargo infringente — recurso a que o réu condenado tem direito desde que tenha recebido quatro votos pela sua absolvição.
A Câmara também argumenta que a alteração provocou uma quebra de isonomia ao fazer distinção entre parlamentares "do mesmo corpo legislativo”, já que passaram para as Turmas as ações penais contra deputados, senadores e ministros de Estado, mas continuam a ser julgados pelo Plenário presidente e vice-presidente da República; presidentes de Senado e Câmara; ministros do Supremo; e o procurador-geral da República.
Atualmente, a ADI 5175 aguarda avaliação do procurador-geral da República. Segundo o STF, sua tramitação não impede a dinâmica do julgamento de parlamentares pela Segunda Turma, pois “a alteração no Regimento Interno do STF continua válida até que venha a ser proferida declarando sua inconstitucionalidade”.
Juristas ouvidos pelo EL PAÍS avaliam que o Plenário do Supremo deve referendar a alteração do regimento, já que foram os próprios ministros que aprovaram a mudança. Uma possibilidade de entendimento entre STF e Câmara é que os parlamentares condenados na Segunda Turma possam apresentar recurso para serem julgados pelo Plenário. Nesse caso, o argumento da celeridade já não faria mais sentido como base para a mudança.
Para Wadih Damous, presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB e um dos maiores críticos da forma de condução do julgamento do mensalão, o STF acerta ao optar pela discrição. “Acho a medida correta, julgamento não é espetáculo. Quando há elementos externos de pressão, em que só pode haver um resultado possível, que é a condenação, saímos do estado de direito e entramos no autoritarismo”, defende o jurista. O advogado Gustavo Badaró, que defendeu Silvio Pereira no julgamento do mensalão, também vê benefícios na alteração, pois sem televisão “os ânimos não estarão tão acirrados” e “não haverá votos tão longos ou citações e demonstrações de erudição que em nada acrescentam ao julgamento da matéria”.
Apesar de concordar que as transmissões ao vivo podem influir nos julgamentos, o professor de Direito Penal da FGV Thiago Bottino acredita que a exposição das sessões contribui para a transparência do Judiciário e para a educação da população brasileira. “Os prós são superiores aos contras. Não televisionar vai trazer algumas perdas, como a impossibilidade de controlar o Judiciário. Do ponto de vista do acusado absolvido, também seria importante exibir o resultado”, diz Bottino, que menciona os ganhos alcançados com a transmissão de julgamentos de grande repercussão como os de ações afirmativas e de pesquisa com células-tronco (esses casos de repercussão geral seguem sendo julgados pelo Plenário do STF).
Também professor da FGV, o especialista em Direito Constitucional Joaquim Falcão é ainda mais contundente em sua defesa da transparência nos julgamentos. “No caso do mensalão, o Supremo se impôs, com legitimidade. O Supremo ganhou com o mensalão. Não justifica se fechar. Temos pesquisas que mostram que, quando se falava em Justiça, antes desse julgamento, o que vinha na cabeça do cidadão eram crimes e prisão. Agora, quando se fala em Justiça, as pessoas relacionam ao Supremo. Isso foi um conquista”, argumenta o professor, segundo quem o Brasil divide com a Inglaterra e o México o pioneirismo nas transmissões de julgamentos — um tema que também começa a ganhar força nos Estados Unidos. “O caminho é o da transparência, e não o da proibição de veiculação”, defende Falcão.
Fonte: El País

CORRIDA PELO OURO

Nova febre do ouro arrasa 1.300 km2de selva na América do Sul

Demanda crescente pelo metal como refúgio dos milionários acelera o desmatamento

Maquinário pesado em uma mina de ouro junto ao rio Araza (Peru). / NORA ÁLVAREZ
A porto-riquenha Nora Álvarez relembra o dia de julho de 2014, quando cruzou Guacamayo, uma das maiores minas de ouro ilegais do mundo, montada em uma motocicleta. “Foi horrível. No lugar da floresta virgem, havia um deserto de areia branca”, recorda. Foram 15 quilômetros de perigosa travessia por uma paisagem apocalíptica de dunas encravada em matas centenárias, com árvores de até 30 metros de altura.
Guacamayo está localizada naAmazônia peruana, em Madre de Dios, região apelidada com ironia “Desmadre de Dios” por alguns de seus habitantes. Já em 2010, documentos do Governo peruano calculavam que 12.000 garimpeiros, um terço deles ilegais e muitos violentos, procuravam ouro no local com a ajuda de bulldozers. Madre de Dios é um dos epicentros da nova febre do ouro mundial que se tornou uma “ameaça para as matas tropicais”, segundo Álvarez, pesquisadora em ciências ambientais da Universidade de Porto Rico.
A mineração do ouro arrasou 1.300 quilômetros quadrados de selva do início da crise econômica em 2007, calcula a cientista porto-riquenha com base em imagens de satélite. É uma superfície equivalente a mais de duas vezes a cidade de Madri. O estudo, publicado hoje na revista Environmental Research Letters, detectou quatro pontos críticos onde se concentra 90% do desmatamento: a floresta úmida das Guianas, distribuída pelo Suriname, Guiana, Guiana Francesa e Venezuela (41%),o sudoeste da selva amazônica no Peru (28%), aregião amazônica brasileira entre os rios Tapajós e Xingu (11%) e a floresta úmida de Magdalena-Urabá na Colômbia (9%).
“Atualmente, o garimpo de ouro é uma das principais causas de desmatamento em algumas das matas tropicais mais importantes da América do Sul”, denuncia Álvarez. Seu trabalho mostra que a destruição disparou desde o início da crise. Antes, entre 2001 e 2006, o desmatamento por causa do ouro afetou apenas 377 quilômetros quadrados.
Selva devastada pela mineração do ouro em Madre de Dios (Peru). / NORA ÁLVAREZ
A pesquisadora aponta os culpados dessa nova febre do ouro: o aumento das vendas de joias, sobretudo na China e na Índia, e a crise econômica, que tem levado os multimilionários a investirem no metal amarelo como garantia. Essa maior demanda pelo ouro multiplicou seu preço. Em 2000, a onça de ouro, 31 gramas, valia 250 dólares. Em 2013, chegou a 1.300 dólares.
A quintuplicação do preço do ouro tornou rentável sua extração do subsolo das florestas virgens mais remotas, explica Álvarez. “O departamento peruano de Madre de Dios, uma das áreas de maior riqueza biológica da Terra, perdeu 400 quilômetros quadrados de matas entre 1999 e 2012 devido ao garimpo”, adverte seu estudo. Ali, “um hectare de selva pode abrigar 300 espécies de árvores”, afirma Álvarez.
Madre de Dios, com 575 espécies de aves e batizada “a capital da biodiversidade do Peru” pelas autoridades, também deixou de ser uma zona remota, graças à chegada da nova Rodovia Interoceânica, que conecta com o Brasil. “A construção desta importante via porá fim ao isolamento em que se encontra a região de Madre de Dios, esquecida há tanto tempo”, afirma o Ministério dos Transportes peruano.
Garimpeiro mostra ouro extraído em Madre de Dios (Peru). / NORA ÁLVAREZ
Álvarez alerta que um terço do desmatamento motivado pelo ouro na América do Sul ocorre a menos de 10 quilômetros de áreas protegidas – como os parques nacionais Rio Novo (Brasil) e Bahuaja Sonene (Peru) – , contaminando-as com o mercúrio empregado para extrair o metal da rocha. Essa contaminação também afeta a saúde da população. Em Madre de Dios, um estudo da pesquisadora Katy Ashe, da Universidade de Stanford (EUA), detectou em 2012 elevados níveis de mercúrio em pessoas que viviam a centenas de quilômetros das minas.
“Não queria dar a impressão de estar demonizando os garimpeiros. Muitos garimpeiros independentes que conheci, artesanais ou de pequena escala, estão dispostos a trabalhar com um garimpo responsável dos pontos de vista ambiental e social”, ressalta a ambientalista porto-riquenha, que assina o estudo com seu colega Mitchell Aide.
Além disso, Álvarez recorda que, apesar dos altos custos ambientais, a mineração do ouro é importante para as economias de alguns países sul-americanos. Na Colômbia, o setor gera 140.000 postos de trabalho, segundo o Centro de Estudos e Documentação Latino-americanos, com sede em Amsterdã (Países Baixos). No Suriname, 60.000 pessoas vivem do ouro.
“Para reduzir o desmatamento decorrente da extração de ouro em matas tropicais, é importante que os consumidores estejam conscientes dos impactos ambientais e sociais de comprar joias de ouro ou investir em ouro”, afirma Álvarez.
Fonte: El País

CIDADES PRECARIZAM SALÁRIO DO PROFESSOR

Falta de dinheiro nas cidades precariza salário do professor

17.01.2015

A insatisfação é vivida pelos educadores da maioria dos municípios, que alegam não receber o piso da categoria

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A expectativa dos professores é de que recursos da Fundeb contemplem os pleitos da categoria
Sobral. Os professores da maioria dos municípios do Centro do Estado não estão satisfeito com a política aplicada pelos gestores públicos em relação ao piso da categoria. Em vários municípios, as prefeituras efetuam apenas o repasse estipulado pelo Ministério da Educação (MEC). Como a Lei do Piso estabelece o pagamento do valor dos salários em cima da quantidade de alunos matriculados regularmente anualmente, pretendiam receber mais. Ao invés dos R$ 1.917,78 estipulados pelo MEC, esperavam pelo menos atingir a casa dos R$ 2.300,00 para quem ensina 40 horas semanais.
Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Piquet Carneiro, Catarina, Deputado Irapuan Pinheiro, Solonópole e Milhã, Djan Carlos, a categoria continua reivindicando o cumprimento da Lei do Piso do Professor. A reclamação aumenta nos inícios de ano, no período de lotação dos profissionais da educação nas unidades de ensino. Mas, como as prefeituras alegam estarem repassando os valores estabelecidos pelo Governo Federal, acabam aceitando.
Quem enfrenta uma situação totalmente diferente são os professores de Ibicuitinga, como reconhece o prefeito Anilton Maia. Os educadores da rede municipal de ensino são concursados apenas para darem 20 horas semanais de aulas. O restante da carga horária estava sendo complementado com contratos de prestação de serviço.
Como o município encontrava-se sobrecarregado, principalmente com o pagamento dos encargos sociais, o INSS, a alternativa encontrada foi a aprovação de uma lei municipal efetivando 72 professores para darem 40 horas semanais. Em breve, Ibicuitinga realizará concurso público para mais 200 vagas, assegurou o prefeito. Outros 120 docentes em regime de contrato temporário poderão ser aprovados e efetivados.
Todavia, na região, em alguns municípios, a relação dos professores com as Prefeituras está melhorando. Esse é o diagnóstico apresentado pela presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Quixadá e Região (Sindsep), Neiva Esteves. Ela apresenta como exemplo a Prefeitura de Quixadá. Do reajuste proposto pelo Governo Federal, de 13,10% o Município está pagando 3% a mais. Outro avanço para a categoria está relacionado à redução de 1/3 das horas aula, para planejamento extraclasse. Noutros municípios vizinhos, como Banabuiú, Choró, Ibaretama e Ibicuitinga, a reposição está sendo apenas do piso estabelecido pelo MEC.
Na região Centro-Sul do Ceará, as prefeituras terão de cortar despesas e fazer esforços para efetuar o pagamento de salário mínimo e do Piso Nacional dos Professores, reajustados a partir deste mês. A secretária adjunta da Educação em Icó, Wilkênia Souza, disse que o pagamento dos novos salários será feito. "É lei e temos de cumprir", observou. O município tem 13 mil alunos e 500 professores.
A presidente do Sindicato dos Servidores do Município de Ipaumirim, Terezinha Gonçalves, disse que a Prefeitura cumpria o piso anterior e a expectativa da categoria é que o novo valor seja de imediato incorporado.
Diferença
Na Zona Norte, Sobral vive uma realidade diferente em relação ao reajuste. Em 2014, quando o piso salarial nacional era de R$ 1.697, 00, o piso municipal já era de R$ 2.095,67, segundo o secretário municipal de educação, Júlio Cesar de Alexandre Costa. Com o novo piso salarial, um aumento está sendo estudado. "Sobral apresenta, ao longo dos últimos dez anos, resultados incrivelmente positivos em nível nacional, sendo palco de experiências que foram reproduzidas pelo Governo Federal, como a Alfabetização na Idade Certa.
Em Santa Quitéria, também na Zona Norte, a situação já é diferente. Na última quinta-feira, o Ministério Público do Estado do Ceará ajuizou uma Ação de Execução de Título Judicial em desfavor do Município de Santa Quitéria, representado pelo prefeito Fabiano Lobo Mesquita, com o objetivo de que sejam quitados os débitos referentes a salários de servidores públicos municipais, dentre eles, professores. Foi procurada a assessoria de Santa Quitéria, mas não houve resposta.
Na contramão da crise, a Prefeitura de Tauá, cidade das região dos Inhamuns, está concedendo um abono de 70,56% aos profissionais que estão em atividade de magistério na Rede Municipal de Ensino, ou seja, que estão lotados na folha dos 60% do FUNDEB. O abono representa R$ 1.092.920,07.
Aumento
A Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce), por meio da subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), produziu análise da previsão de aumento nos repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para as cidades cearenses. Conforme a análise, em cerca de 90% dos municípios haverá aumento no repasse.
O estudo conclui ainda que, no ano de 2014, onde já havia previsão de aumento, os valores repassados consolidados até dezembro superaram, em 100% das cidades, o crescimento previsto, a maioria em mais de 6%. "O histórico mostra que a previsão sempre é inferior ao de fato investido, o que comprova que os valores têm sido sempre mais otimistas", avalia a técnica do Dieese, Rosilene Cruz.
A conclusão é de que está rechaçada a alegativa dos prefeitos cearenses, por meio da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), de que faltam recursos para pagamento dos profissionais do magistério.
"A receita do Fundeb enviada aos municípios é carimbada, portanto, deve ser usada para custear salários e demais investimentos da educação. Quem gastou errado o dinheiro do Fundo é que deve prestar contas à sociedade e não usar o discurso de que não dá pra pagar o reajuste dos servidores", avalia Enedina Soares, presidenta da Fetamce. Além disso, a Federação esclarece que os municípios cearenses deverão receber, em 2015 e 2016, um acréscimo de R$ 316 milhões, no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a professores.
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) informou que os municípios nordestinos têm gasto, em média, 71,27% da receita do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) com o piso, o que comprovaria que o critério de reajuste do piso tem impossibilitado a cada ano o cumprimento da lei.
Jéssyca Rodrigues / Sucursais
Colaboradora
Fonte: Diário do Nordeste

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

BOLSA FAMÍLIA É A REDENÇÃO DE SERTANEJOS


ESTIAGEM

Bolsa Família sustenta sertanejos

09.01.2015

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Sem preparo para conviver com as adversidades do clima semiárido, muitos sertanejos contam, apenas, com o auxílio dos programas sociais do governo para sobreviver
FOTO: ANTONIO CARLOS ALVES
Canindé/Caridade/Itatira/Paramoti A primeira grande seca do século XXI assusta até os mais antigos. Quem vivenciou as estiagens de 1953 e 1983, como Maria Gorete da Silva, de Carrapato, no município de Paramoti; Antônio Gonzaga de Medeiros, de Caridade; e Filomeno Barbosa, do Assentamento Santa Terezinha, em Itatira, acreditam que a seca dos últimos três anos pode acelerar o processo de êxodo rural, que voltou a se intensificar. Sem condições de conviver com o clima árido, os sertanejos contam, apenas, com o auxílio do programa Bolsa Família para sobreviver.
Segundo dados do Censo Demográfico 2010, entre 1970 e 2010, mais de 57 mil pessoas deixaram a zona rural. Nos quatro municípios percorridos pela reportagem do Diário do Nordeste, entre os dias 3 e 8 de dezembro, é evidente o abandono da região.
Sustento
Em Agreste Caridade, até 1970, a população rural era superior a 4 mil habitantes. Em 2010, os que moravam na zona rural não somavam 2.400 pessoas. Na mesma situação, o sítio Mulungu, na divisa de Paramoti com Pentencoste, já chegou a ser bem habitado, mas hoje está praticamente deserto.
"Tem umas quatro famílias, no máximo, morando por aqui. Ninguém aguenta essa sequidão", diz Maria do Socorro, filha de Filomeno Barbosa. Além da aposentadoria do pai, o que sustenta a casa é o pagamento da Bolsa Família: "O meu pai é que diz que vai morrer aqui".
A seca que ela considera "tirana" assusta, mas não esmorece seu Filomeno. Ele conta que já viu muitos irem embora, desistirem. "Se eu estivesse morando na rua, já estava paralítico", diz.
Abandono
Em Caridade, Antônio Gonzaga de Medeiros, 64, nasceu no campo, mas não teve como continuar no campo. Em junho do ano passado, resolveu se transferir da zona rural para a cidade. "Trabalhava na roça e morava numa casinha lá, mas estava fraco e o dono dispensou", conta o agricultor. Os fazendeiros da região, segundo ele, não contratam mais.
Na região de Carrapato, em Paramoti, Maria Gorete da Silva Dantas também sustenta a família com os R$ 160,00 que recebe da Bolsa Família. "Esse dinheiro, é o que salva meus filhos", afirma a agricultora. "A gente atravessa o mês e ainda fica por aqui, porque na cidade tudo é mais caro", acrescenta. Ela tem quatro filhos. O marido não está trabalhando. A sorte é que a família ainda tem uns 80 quilos de feijão branco, do plantio de 2011.
Seu Francisco Serafim, outro morador de Carrapato, chega já no fim da entrevista e vai logo dizendo "aqui só a sede das fazendas, e está tudo acabado". No passado, a cidade era área bem povoada.
Desemprego
Em Canindé, 13.815 famílias recebem ajuda instituída no Governo Federal. Por mês, o Bolsa Família destina ao município R$ 2.265.100.
Em Salão II, a família de dona Mirian da Rocha, 66, se divide, desde dezembro de 2011, entre o campo e a cidade. "A gente tem uma filha doente. Não dá mais pra morar no campo", conta. Com R$ 1.200,00 de duas aposentadorias, a dela e a do marido, sustenta a família.
Os dois filhos homens que ainda vivem sob sua 'proteção' não trabalham. "É com esse dinheiro que sustento essa gente toda e os animais", relata dona Mirian, sem queixas. Das oito mulheres, três que estavam na casa da cidade recebem o Bolsa Família e aguardam a entrega de uma casa própria, em um dos conjuntos populares que deverá ser construídos pelo governo federal no Município.
Um dos filhos de dona Miriam, o caçula, Abraão Tancredo, 24, explica que não há oferta de trabalho na região. A esperança, segundo ele, é a abertura de uma mineração de urânio, que deve gerar emprego na cidade de Santa Quitéria.
Antônio Carlos Alves
Colaborador
Fonte: Diário do Nordeste

ENEM EM VERSÃO ON-LINE

MINISTRO DA EDUCAÇÃO

Cid Gomes deseja adotar Enem em versão on-line

09h06 | 09.01.2015

Além da proposta de um novo modelo, Cid defendeu a realização do exame por mais de uma vez durante o ano; ele afirma que levará as propostas à presidente

Cid Gomes
No entanto, Cid Gomes ainda não definiu prazo para adotar o novo modelo
FOTO: ELZA FIÚZA/AGÊNCIA BRASIL
Em declaração concedida ao jornal Folha de S. Paulo, o novo ministro da educação, Cid Gomes, afirmou que deseja adotar uma prova on-line no Enem (Exame nacional do Ensino Médio) e aplicar mais de um exame a cada ano. "Vou levar a proposta à presidente Dilma", disse o ministro.
Desta forma, a prova não seria mais realizada em papel e passaria a ser respondida em terminais de computadores, onde ficariam disponíveis os bancos de perguntas. A ideia encerraria a aplicação da prova em apenas um fim de semana para criar um esquema em que os alunos inscritos no exame teriam alguns dias para se deslocar aos lugares credenciados e fazer o Enem. "Cada aluno faria uma prova diferente, com escolha aleatória das questões", afirmou Cid Gomes.
Com o modelo posto na prática, o aluno poderia fazer quantas edições desejasse e ficaria à cargo das instituições de ensino superior indicar quais das versões seria aceita para o ingresso. Já a aplicação da prova seria responsabilidade de uma rede pública credenciada anteriormente, como por exemplo, as próprias universidades federais.
Cid Gomes defendeu que a primeira aplicação sob esses moldes seria gratuita, totalmentecusteada pelo governo federal. Porém, nas edições futuras, os encargos teriam que ser desembolsados pelos estudantes.
Junto com isso, o ministro retoma a proposta de realização do exame mais vezes durante o ano, uma promessa de Fernando Haddad em 2009, quando também era ministro da educação. A intenção é aumentar as chances de ingresso nas universidades e diminuir a pressão de uma única edição durante o ano inteiro.
O novo modelo
A inspiração é o SAT (Scholastic Aptitude Test ou Scholastic Assessment Test), um exame padronizado nos Estados Unidos, parecido com o Enem brasileiro, e que permite a aplicação de questões diferentes simultaneamente. Nos EUA ele é aplicado várias vezes durante o ano. No caso, a metodologia proposta pelo exame brasileiro, a Teoria de Resposta ao Item (TRI), também torna possível a elaboração de provas distintas com o mesmo grau de dificuldade.
Porém, para por em prática o novo modelo, algumas medidas teriam que ser tomadas. Seria necessário um extenso banco de questões e também uma rede confiável para aplicação das provas. Como solução, Cid Gomes propõe que o banco de perguntas seria público e "com isso, elas poderiam ser analisadas por entidades e questionadas, se for o caso". Para ele, não existe a possibilidade de os estudantes decorarem tais questões. "Seriam milhares de perguntas para cada área. Se o aluno conseguir decorar todas, ele é um gênio".
No entanto, Cid ainda não definiu nenhum prazo para adotar o novo modelo, mas  afirma que deseja adotá-lo durante seu período no comando da pasta.
Fonte: Diário do Nordeste