quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

AGORA É UM TAL DE "ROLEZINHO"

A rebelião dos excluídos

Quatro intelectuais discutem a natureza dos rolezinhos, analisam a resposta do Estado e da sociedade e até onde o movimento pode chegar

Policiais abordam jovens no shopping Metrô Itaquera. / ROBSON VENTURA/FOLHAPRESSr
Depois da série de protestos sociais iniciada em junho do ano passado, um novo fenômeno social começa a se desenhar no Brasil. Osrolezinhos começaram a ganhar a atenção quando no último 7 de dezembro cerca de 6.000 jovens se reuniram por meio das redes sociais no shopping Metrô Itaquera, na zona leste de São Paulo, uma das regiões mais pobres da cidade.
O grupo, maioria de pretos e pardos, compareceu ao centro de consumo que se auto-define como um “empreendimento alvo da nova classe média”, vestindo seus bonés e bermudas e ouvindo seus funks. Desde aquele dia, ao menos mais quatro rolezinhos, identificados pela polícia como tumultos, repetiram-se em diferentes shoppings da Grande São Paulo com casos de roubo isolados. Em todos, causaram pânico entre lojistas e compradores.
O Brasil coleciona histórias de discriminação em seus centros de consumo. No último mês de dezembro, um músico cubano negro ganhou uma indenização de 6.700 reais porque a Justiça considerou que ele foi vítima de preconceito ao ser abordado e levado para uma sala por seguranças no Shopping Cidade Jardim, o mais luxuoso da cidade, onde ele faria um show. Em 2000, um grupo de moradores de uma favela do Rio chegou de ônibus a um shopping da zona sul para mostrar à mídia que eram recebidos pelos lojistas e seguranças com preconceito e “cara de nojo”.
Mas no último final de semana, o fenômeno transpassou a fronteira da periferia. A decisão da Justiça de proibir os rolezinhos e ameaçar seus praticantes com multa de 10.000 reais, além da repressão policial vista em um novo encontro de cerca de 1.000 jovens no shopping Metrô Itaquera, mobilizou pelas redes sociais um setor da classe média do país todo refratário à violência policial. Os mesmos que foram reprimidos com balas de borracha e gás de pimenta nos protestos de junho. Agora, novos dez rolezinhos estão marcados para as próximas semanas em apoio aos jovens da periferia, entre eles um no JK Iguatemi, um dos mais caros de São Paulo que, com a liminar colada nas suas portas automáticas, barrou até seus próprios funcionários no último sábado.
O EL PAÍS ouviu quatro intelectuais que refletiram sobre o fenômeno e discutiram sua natureza, analisaram a resposta do Estado e da sociedade a ele e apontaram seu possível rumo.
PAULO LINS (escritor, autor de Cidade de Deus)
"Não vejo nada espontâneo neste fenômeno"
rolezinho é uma forma de trazer à tona o fato de que o Brasil é um país racista e demonstra que é uma manifestação extremamente política e organizada. Não vejo nada espontâneo neste fenômeno. Acho que o debate público na periferia do Brasil está muito grande. Desde os anos 90, a música, a literatura, a poesia, o rap são muito políticos e esses jovens se ligam assim na política, ouvem as pessoas falarem, debaterem. Eu mesmo já organizei vários debates com crianças nas favelas. Os políticos não estão percebendo que a periferia está mudando, que não aceita mais os desmandos políticos. Hoje você conversa com um jovem de 15 anos da periferia e ele sabe tudo o que está acontecendo, apresenta as mesmas ideias que um jovem do centro da cidade.
A resposta das autoridades diante do rolezinho não é novidade, sempre foi assim. Se entrarem cinco negros num shopping a segurança vai ficar olhando, vai ir atrás. A polícia brasileira é a que mais mata jovens negros. Todo mundo sabe disso. O Brasil é um país racista, como a maioria dos países na Europa, como os Estados Unidos. Isso acontece no mundo todo e os jovens de periferia estão cansados de ver isso. Uma menina de 15 anos que morava no morro recebeu 1.000 reais de presente de aniversário do pai para comprar um vestido. Ela era barrada nas lojas de grife, não conseguiu comprá-lo. Tenho uma amiga francesa mulata, que chegava nas boutiques de Ipanema e o pessoal queria botar ela para fora, até que ouviam o sotaque.
Mas o problema não é as pessoas serem racistas, é as instituições serem racistas. Não posso mudar o racismo pessoal, agora, quando é o Estado que é racista temos um problema. Essa forma de racismo é a que causa a violência. Uma classe média inteligente vai entender que essa forma como tratam a essas crianças nos shoppings é um dos principais motivos que causam violência.
A classe média tem que abraçar essa causa para viver num pais melhor. Roubo e arrastão sempre houve em qualquer situação. O importante é que as pessoas que não fazem isso estão lá também. O mais importante para nós, para imprensa, deveria ser o fato político.
RUDÁ RICCI (doutor em ciências sociais e autor de "Nas Ruas", sobre os protestos de junho)
"Quem está politizando esta brincadeira infantil é a PM"
Os rolezinhos nascem de dois sentimentos que se cruzam. O primeiro, fruto da inclusão pelo consumo provocado pelo lulismo. Não houve inclusão social pela luta pelos direitos (motivada por mobilizações e protestos sociais que, vitoriosos, gerariam identidade social e política) ou pela política (fruto de engajamento sindical ou partidário).
A inclusão pelo consumo disseminou que prestígio social se vincula a bens adquiridos, se possível, top de linha. O segundo sentimento é o ressentimento, fruto da condição social dos moradores da periferia. Não está diretamente vinculado ao padrão de consumo (vários deles possuem casas com TV tela plana, celulares e tênis de última geração), mas ao descaso dos governantes (não possuem áreas ou programas culturais ou de lazer e são tratados com violência pela polícia) e, principalmente, pela discriminação das classes médias tradicionais.
Por este motivo andam em multidão (mais de 1.000 jovens nosrolezinhos), porque sabem que em pequenos grupos sofrerão discriminação. Em grupos maiores, tomam o espaço que não os acolhe com muito ânimo. A partir daí, trata-se de uma ação infantil, nem mesmo adolescente: correm, "barbarizam" com gritos, uma ação primária de demarcação de espaço e uma denúncia velada da discriminação (afinal, ao barbarizarem estão reforçando o que os que discriminam já explicitam com olhares de recriminação). Não há qualquer sinal de confronto de classe. O sinal é de agressividade, mas não violência (os freudianos sustentam que agressividade é sinal de defesa e normalidade, violência é patologia). Mas aí, entram os políticos e polícia militar para politizar esta situação. Os políticos se preocupam com a reação da classe média, que ainda acreditam que sejam formadores de opinião eleitoral (o que não é fato no Brasil, desde 2006, segundo demonstram vários estudos sobre processo eleitoral).
Acionam a PM que não possui cultura de respeito à diferença social. Avaliam qualquer situação fora do padrão de normalidade imposto por estas áreas de consumo sofisticado como perturbação da ordem. E atacam, como qualquer treinamento militar. Atacam o inimigo em potencial. Aí, podem estar politizando algo que é uma reação infantil.
De fato, os rolezinhos geram quebra de domínio de território por uma classe ou um comportamento específico de classe. Mas não é mais que uma reação infantil, de quem se sente discriminado e quer estar lá e ter prestígio ou reconhecimento que, como já ressaltei, em nosso país significa bens de alto consumo. Em uma palavra: quem está politizando esta brincadeira infantil é a PM. Algo similar ao que já fez em junho do ano passado. E vimos em que desaguou.
ALBA ZALUAR ( professora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ)
"Acredito que seja uma brincadeira, não um movimento social"
rolezinho é um fenômeno, a discussão agora é se é um movimento. Acredito que seja uma brincadeira, não um movimento social. Esses jovens precisam de diversão e estão buscando uma forma de diversão. O que precisa ser analisado é se a presença deles no shopping é prejudicial. Eu, se estivesse em um shopping, e encontrasse um grupo de pessoas de qualquer classe social gritando, fazendo arruaça, ficaria assustada. Eles deveriam ir ao parque, por que não vão ao Ibirapuera? Um shopping é um centro de consumo. Pode até ser que, no fundo, essa garotada queira prejudicar quem quer consumir nesses shoppings e aí já não é uma brincadeira e, sim, uma forma de agressão às pessoas das quais elas sentem aversão ou inveja. Nesse contexto, poderíamos falar de uma luta de classes, mas uma luta de classes sem muito propósito. O que se tem é que estimular que eles se desenvolvam, façam coisas criativas, para que saiam da pobreza.
Acho que está havendo um exagero, inclusive por parte dos que querem proibir. E o fenômeno está ganhando um novo significado. E isso é o que eu temia, que as coisas voltassem ao que foi no ano passado, que se torne algo contra a polícia, nessa perspectiva das pessoas que são contra o sistema e que a polícia é repressiva e violenta. A polícia brasileira é, sim, muito violenta. Mas não acho que é essa a forma de resolver a questão.
ROSANA PINHEIRO MACHADO (professora de antropologia na Universidade de Oxford)
"De racismo cordial e velado não temos nada"
rolezinho é um evento de jovens da periferia que se reúnem para passear nos shoppings das cidades, cantar funk e se divertir. Em grupo, os jovens da periferia sempre foram aos shoppings. Não é um processo novo, a não ser em sua dimensão e intencionalidade. Mas o rolezinho hoje é muito mais do que isso: é um dos mais importantes fenômenos da sociedade brasileira, não pelo evento em si, mas pelo seu poder de reação, entre amor e ódio. Poucas vezes tivemos um momento tão especial para pensar o Brasil como agora por tudo que isso traz à tona.
É muito difícil dizer se são protestos conscientes. De alguma forma todos são. Há uma reinvindicação clara de ocupar espaços urbanos privilegiados, de marcar presença. É um basta na invisibilidade. Toda a marcha, em maior ou menor medida, é uma reivindicação ao “direito à cidade”, como diria o filósofo francês Henri Lefebvre.
É um evento político consciente que tem relação com outras práticas da periferia, como as pichações, que tem por objetivo marcar os espaços e transmitir uma mensagem. Mas o grau da intencionalidade é impossível definir: ele varia de grupo para grupo, de cidade para a cidade.
 O resultado político do rolezinho, no entanto, é muito interessante, seja pelo ponto de vista de como ele reflete a sociedade brasileira, seja como esse reflexo volta para os grupos, que se vão dando conta do tremendo papel político que desempenham. É evento vinculado ao culto ao consumo de ostentação. Nesse sentido, é importante evitar romantizações de que se trata de um evento de luta de classes de esquerda. Por outro lado, o resultado disso se assemelha a um processo muito semelhante, em que as camadas populares descem o morro e tomam conta de espaços que lhes foram negados. Ai então a sociedade reage, com raiva e rancor. A periferia sente na pele a exclusão, sente que não é benvinda e assim vai tomando cada vez mais conta de seu papel político.
A programação desses jovens não é nada novo também. Pelo Orkut ou pelo Facebook, jovens da periferia sempre se reuniram para passear, como acontecia no caso dos “bondes” que, pelo Orkut, se encontravam nos shoppings e nas praças. Eles se reúnem porque isso faz parte dos processos de pertencimento peculiares à cultura juvenil de grupos urbanos.
Se levarmos em consideração que o rolezinho é um processo e não algo novo, fica difícil perceber relação direta com os eventos do ano passado. No entanto, é claro que essa atmosfera de um Brasil injusto, que não pode mais se calar, acaba afetando e dando uma nova dimensão ao fenômeno. Ele vem a calhar em um momento em que a sociedade brasileira está se dividindo. De um lado, uma parte da população tem se revelado preconceituosa, racial e socialmente, e vem a pedir maior repressão (infelizmente essa massa vem de todas as classes sociais). Isso não é novo. Apenas isso está ficando evidente para mostrar ao mundo que de racismo cordial e velado não temos nada: temos um sistema cruel e perverso. De outro lado, onde eu acredito que está a grande maioria da população, tem uma parte esperançosa, cansada e sedenta por democracia. Essa parte é a mesma que apanhou da polícia em junho de 2013, que defende as populações indígenas, que é contra as remoções forçadas da Copa e que, finalmente, entende que os jovens da periferia tem o direito de ir e vir.
El País

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

MAIS IMPOSTOS!

Impostos »
Tributos aumentam valor pago pelos remédios no Brasil em até 34%



O peso de tributos como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), PIS e Cofins chega a elevar o preço dos medicamentos pago pelo consumidor brasileiro em 34%. A conta da farmácia é apontada pela indústria e também pelo varejo como fatores importantes para que a população não cumpra à risca a receita do médico, o que provoca complicações de saúde e elevam os gastos públicos e privados, com internações e tratamento de doenças simples que se tornam graves. O Brasil é um dos campeões mundiais na taxação dos remédios e a distância se torna astronômica especialmente quando comparado a países como Estados Unidos, Canadá e México, onde a carga tributária é zerada. Somente no ano passado a arrecadação com a fabricação e venda de medicamentos atingiu R$ 15 bilhões, superior aos gastos do governo com remédios, próximos a R$ 10 bilhões em 2013.


Representado pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), o setor lançou no ano passado a campanha Sem Imposto no Remédio, recolhendo assinaturas em todo o país. O resultado do abaixo-assinado será enviado ao congresso nacional nas próximas semanas. A expectativa é que ainda este ano todos os remédios de uso cotidiano e também novas drogas para tratamento de doenças, como câncer e Alzheimer, possam ter o seu preço reduzido. “Mais de 1 mil medicamentos no país já poderiam estar isentos do ICMS, ocorre que desde 2007 não temos atualização da lista de isenção. Juntos o ICMS e o PIS/Cofins correspondem aos tributos de maior peso na composição do preço brasileiro”, aponta Pedro Bernardo, presidente da Interfarma.

Somente no ano passado a rede de drogarias Araujo, que lidera a arrecadação de ICMS no setor de drogarias em Minas Gerais, pagou em tributos o equivalente a R$ 140 milhões. O presidente da rede, Modesto Araujo Neto, defende a inclusão dos medicamentos na cesta básica do brasileiro, e garante que com a redução dos tributos a conta para o consumidor pode cair acima de 30%, motivando o consumo e economizando gastos com internações. “Assim como os alimentos, os medicamentos são primordiais para a população.” Araujo aponta ainda que em Minas Gerais existe uma reivindicação antiga do setor de alinhamento da alíquota do ICMS para todos os produtos. Isto porque os medicamentos genéricos já foram beneficiados com a redução da alíquota do imposto de 18% para 12%, mas todos os outros fora dessa categoria continuam arcando com a tributação de 18%. Modesto Araújo lembra ainda que a conta cresce para o consumidor mas também para o governo quando compra medicamentos de distribuição gratuita e também é taxado com o ICMS.

Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) para o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma) demonstrou que em média o ICMS brasileiro para medicamentos é de 18%. Pesquisando o estado do Paraná, que reduziu sua alíquota para 12%, o estudo demonstrou que houve crescimento da arrecadação em 2012, ano em que a pesquisa foi elaborada. Uma das variáveis para a conta positiva foi o aumento do consumo.

FILANTROPIA - Levantamento do setor filantrópico em suas unidades assistenciais demonstra que o impacto da carga tributária tem peso relevante não só na venda direta de medicamentos ao consumidor mas também na assistência hospitalar.

No ano passado o segmento pagou R$ 1,5 bilhão em tributos. “Esse valor seria suficiente para abrir 5 mil novos leitos de CTI ou ainda realizar 1,2 milhão de partos ou 1,5 milhão de cirurgias”, compara Gonçalo Barbosa, superintendente de Planejamento de Finanças e Recursos Humanos do Grupo Santa Casa. Ele cita ainda que a carga tributária encarece os medicamentos fabricados no Brasil, assim como os equipamentos, favorecendo as importações, uma vez que hospitais públicos e filantrópicos têm isenção de impostos quando compram de outros países. “Cerca de 80% dos equipamentos mais caros de alta tecnologia, são importados.” Para o executivo, a alta carga tributária estimula a importação.

Fonte: Diário de Pernambuco

SALÁRIO MÍNIMO DEVERIA SER R$ 2.765,00...

Salário mínimo deveria ser de R$ 2.765 para pagar cesta básica, diz Dieese

Preço dos alimentos também subiu em 2013, encarecendo a cesta

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica registrou em 2013 um aumento em todas as 18 capitais em que o estudo acontece, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Com isso, o departamento calculou quanto deveria ser o salário mínimo no país com base na cesta básica de Porto Alegre, que registrou o maior aumento em dezembro, custando R$ 329,18. Pela lei, o salário mínimo deve ser capaz de suprir a despesa do trabalhador e sua família. Com isso, o Dieese mostrou que o menor salário pago deveria ser de R$ 2.765,44, quase quatro vezes maior do que o que está em vigência atualmente, de R$ 724,00.
Em nove dos locais da pesquisa, o crescimento do valor da cesta básica foi acima de 10%. As maiores elevações aconteceram em Salvador, com 16,74%, Natal, com 14,07% e Campo Grande, que registrou aumento de 12,38%. Já os menores crescimentos ocorreram em Goiânia e Brasília que ficaram, respectivamente, com 4,37% e 4,99%.
Tabela mostra o custo da cesta básica e a jornada de trabalho necessária para pagá-la
Tabela mostra o custo da cesta básica e a jornada de trabalho necessária para pagá-la
A jornada de trabalho necessária para se pagar os alimentos essenciais de um trabalhador que receba o salário mínimo deveria ser de 94 horas e 47 minutos, pelo resultado das médias das capitais brasileiras em dezembro de 2013.
O único produto da cesta que registrou diminuição de preço em todos os locais pesquisados foi o óleo de soja, com queda de 27,10% em Curitiba e 13,66% em Natal.
Já o leite, a farinha de trigo, a banana, o pão francês e a batata aumentaram seus preços em todos os locais do estudo. A maior alta do leite aconteceu em Belém, registrando 28,24% e a farinha em Florianópolis, com 67,06%. O pão francês e a batata aumentaram respectivamente, em 24,17% em Campo Grande e 45,60% em Porto Alegre, enquanto o maior aumento da banana foi de 73,89% em Natal.
Fonte: Jornal do Brasil

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O FUTURO DO BRASIL

Os filhos da classe C mudarão a cara do Brasil

55% dos jovens brasileiros são filhos da internet, menos conservadores e menos religiosos que seus pais. Também representam uma força eleitoral decisiva

     
Manifestantes durante protesto em Brasília, em junho de 2013. / EVARISTO SÁ (AFP)
A classe C é hoje protagonista na sociedade brasileira. São 40 milhões que, saídos da pobreza, constituíram um estrato que está influenciando na própria identidade do país. Os filhos dessas famílias constituídas pelos trabalhadores de mais baixo nível profissional, em sua maioria analfabetos ou quase, são uma novidade tão importante que, segundo Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular, podem chegar a “mudar a cara do Brasil”.
Ao contrário de seus pais, que não estudaram, estes jovens já frequentam a escola e sabem mais do que eles. Querem, além disso, continuar sua formação para poder dar um salto social. Serão adultos muito diferentes de seus progenitores, segundo o perfil deles apresentado no estudo Geração C, feito pelo Data Popular com 23 milhões de jovens entre 18 e 30 anos e salários de até 1.020 reais por mês, o que abrange 55% dos brasileiros dessa idade.
Esses jovens são os novos formadores de opinião dentro de suas famílias: estão muito mais informados do que seus pais, são menos conservadores do que eles (sobretudo em questões sexuais e religiosas) e começam a ter uma grande força eleitoral.
De fato, são os setores políticos e religiosos os que estão mais preocupados e interessados em saber por onde se movem esses milhões de jovens que dentro de uns anos serão fundamentais para determinar os rumos do país.
Uma pequena mostra da inquietude desses jovens -- que contrasta com certa resignação atávica de seus pais, que se entregavam passivamente às mãos do Estado benfeitor – foi sua atitude nos protestos de junho passado. Muitos desses jovens que cunharam slogans criativos e subversivos provinham da periferia das grandes cidades e são filhos dessa classe C que já exigem mais do que os pais. São também os filhos da internet, da comunicação global e têm ideias próprias sobre a política e a sociedade.
Em alguns casos são eles que estão ajudando seus pais (sobretudo as mães, com pouco ou nenhum estudo) a usar o computador para que possam ter uma conta no Facebook ou enviar e-mails aos amigos.
Um fenômeno novo é que os pais desses jovens, com um salário melhor do que tinham quando viviam na pobreza, estão muitas vezes se sacrificando para que a filha, por exemplo, faça um curso de alguma coisa e “não tenha que limpar casas a vida toda”, ou para que o filho não precise ser “peão de obra” como seu pai, e sim técnico de internet e, se possível, médico ou advogado. De fato, muitos dos filhos já estão ganhando mais do que seus pais como empregados no mundo do comércio, na administração de empresas ou empreendendo seu pequeno negócio, como um salão de cabeleireiro ou uma pequena loja.
Esses jovens logo serão maioria no Brasil, e a eles terão de prestar contas o mundo político, o econômico e até o religioso. Segundo muitos estudos em andamento, esses jovens já pensam de forma diferente dos seus pais, são mais críticos com o poder e mais exigentes com as ações do governo. No campo religioso, eles também representam uma grande interrogação que começa a preocupar as diferentes religiões, sobretudo a Igreja Católica e as evangélicas. Segundo André Singer, um dos analistas mais agudos da sociedade brasileira, os pais dessa classe C pertenciam em 90% às igrejas evangélicas nas quais hoje se encontra fundamentalmente o universo mais pobre do país, enquanto a Igreja Católica tem maior influência entre as classes mais cultas e com renda maior.
No que crerão esses jovens? Essa é uma das incógnitas, objeto de estudo e preocupação do mundo religioso. Houve 35.000 respostas diferentes à pergunta feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).
O que começa a parecer, de momento, é que muitos deles já estão desertando das igrejas evangélicas, cujos ensinamentos consideram conservadores demais. Em alguns casos, convenceram também os pais a deixar de frequentarem ditos templos.
Os católicos se beneficiarão desse distanciamento? Parece que não, já que os católicos, que constituíam 90% da população, estão perdendo fiéis a cada ano. Até ontem, para os evangélicos. A partir de agora, é difícil de profetizar.
As primeiras sondagens apontam que esses rapazes se inclinam mais em direção a uma “religiosidade sem Igreja”; a uma “secularização latente” que se afasta cada vez mais das igrejas tradicionais, tanto a católica como a evangélica. Continuam acreditando em Deus, como seus pais, mas rejeitam com mais facilidade as instituições religiosas oficiais.
Esses jovens são pós-industriais, pós-guerra fria; filhos dos movimentos ambientalistas, da cultura líquida e do processo imparável de secularização. São os que forjarão a identidade do Brasil no futuro imediato. Ou melhor, já estão forjando, embora, para muitos, isso ainda passe despercebido. E começam a ser maioria.
El País

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

PROFISSÃO PATÉTICA?

Professores tentam sair da lista de “profissões mais patéticas” do Brasil

Plano de Educação corrige salários dos profissionais, mas não garante plano de carreira. Se não for modificado, projeto beneficia mais empresas privadas para garantir quantidade e não qualidade

CARLA JIMÉNEZ
  • Professor da rede pública de São Paulo em greve no ano passado. / MARCELO CAMARGO (ABR)
    Um caminhão de dinheiro pode vir a ser destinado para a educação no Brasil dentro de dez anos, segundo o Plano Nacional de Educação, aprovado pelo Senado, e que pode ser aprovado até fevereiro pela Câmara dos Deputados. Se o porcentual de 10% do Produto Interno Brasil, previsto pelo plano, estivesse em vigor atualmente, ele representaria nada menos que 440 bilhões de reais, tendo como base o PIB de 2012, de 4,4 trilhões de reais. Hoje, o país investe o equivalente a 5% do PIB, ou cerca de 220 bilhões de reais. O que parece uma boa notícia, no entanto, frustra especialistas pois beneficia a quantidade, mas não a qualidade do ensino.
    Mais do que isso, se o tema não for tratado com a seriedade devida, o ofício de professor vai se manter na lista das “profissões mais patéticas do Brasil”, como descreveu a escritora Vanessa Barbara, em artigo no NYTimes no dia 16 de dezembro. Não se trata de exagero. Uma das metas do plano de educação, visa equipara o salário dos professores da rede pública, com a de outras profissões do nível superior contratados pelo Estado, pois hoje os profissionais de ensino ganham 40% menos do que seus pares. Se a famosa meta 17, das 21 que constam no plano, for cumprida, os professores poderão, ao menos, resgatar, em médio prazo, a dignidade de ser remunerados conforme seus anos de estudo. O piso salarial este ano é de 1.697 reais, um valor que frustra a categoria, pois não acompanharia o valor que deveria corresponder ao número de alunos matriculados na rede pública, explica Roberto Leão, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação. “Esse valor é ridículo”, diz Leão.
    Há outras listas de frustrações para os profissionais da categoria, que são uns dos que lideram as greves no país a cada ano, por más condições de trabalho.Não por acaso, isso se reflete na qualidade do ensino, e no tratamento que a sociedade oferece ao professor. No Youtube, não faltam protestos indignados de profissionais, como a professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, no Nordeste, que em 2011 fez um relato tão sincero sobre a situação do professor, durante uma audiência publica sobre educação, que teve milhões de visualizações. “Em nenhum momento, na nossa cidade, no nosso estado ou no nosso pais a educaçao foi prioridade. Estamos aceitando a educação como uma fatalidade, e me colocando em dalas de aula superlatadas. Sou eu a redentora do país, ainda mais com o salário que ganho? ”, perguntava Amanda.
    Durante as manifestações de junho, o tema educação estava nas ruas, num grito de protesto que chamava a atenção para o problema. “Alô Brasil! Vamos acordar! Um professor vale mais do que o Neymar!”, cantavam em coro os manifestantes. Os protestos, inclusive, tiveram um papel importante no sentido de fazer o Plano Nacional de Educação, que foi formulado inicialmente pelo Ministério da Educação e representantes da sociedade civil, a avançar no Congresso. A ferocidade das ruas fez o Executivo e o Legislativo darem respostas rápidas para atender às demandas da população naquele momento, e assim foram definidos, por exemplo, que parte dos royalties do petróleo do pré-sal seriam destinados para educação, a fim de concretizar a meta de chegar a 10% do PIB para educação.
    A meta 17, que garante a correção do salário dos professores é visto como um primeiro passo para alcançar um melhor tratamento para os profissionais de ensino. Mas, ainda insuficiente. “É positivo, mas o desafio é superar essa média, fazer de fato a carreira docente atraente, e isso não é só uma questão de salário”, diz Daniel Cara, cientista político que coordena a Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
    Com a frustrante colocação 55 no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) do ano passado, o Brasil pode aprovar um plano, que em vez de reposicionar o país em termos de qualidade, pode manter os mesmos problemas, reclamam os especialistas da área. “É colocar dinheiro novo, em estruturas velhas”, avalia Ryon Braga, da Hoper Consultoria, especializada em educação. Ele reconhece que o país teve avanços matemáticos nos últimos anos, como o aumento do número de alunos no ensino superior, que passaram de 2,6 milhões em 2000 para 7 milhões no ano passado. Mas, para ele, o foco em qualidade não é o ideal.
    O Plano de Educação vem seguindo o ritual processual do Congresso. Já havia passado pela Câmara, seguiu para o Senado, onde recebeu modificações, e agora volta para a Câmara, onde haverá pressões para que alguns pontos que foram abandonados pelos senadores, sejam retomados. Um deles é a destinação clara que os recursos devem ter, como a obrigação de o Estado destinar verbas para a ampliação de vagas e a contratação de professores na educação básica.
     Cara explica que o Senado retirou parte do texto que previa o controle de qualidade por uma medida criada pela Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), batizado de Custo Aluno Qualidade Inicial. Por uma série de indicadores – tais como bibliotecas disponíveis, plano de carreira do professor, aplicação do piso salarial de educação, entre outros – seria possível chegar a um demoninador mínimo que começaria a nortear o Brasil para os padrões dos países da OCDE. “Estudos mostram que somente 0,6% das escolas públicas no Brasil estariam dentro do ideal desse custo mínimo”, diz ele.
    O plano prevê, em todo caso, que haverá mais recursos para a capacitação de professores, mas as estratégias para fazê-la não estão expostas com clareza. “ Hoje ninguém quer ser professor no Brasil. Já estamos em desemprego zero. Nessa situação, outras profissões se tornam mais atraentes. Por que alguém faria magistério?”, diz Priscila Cruz, da ONG Todos pela Educação. A especialista lembra ainda que a infraestrutura das escolas de rede pública são muito precárias. “E não é preciso ir muito longe para ver isso, basta ir à periferia de São Paulo. As salas são um forno, não entram nem luz. Se eu não valorizo espaço, nao valorizo o profissoinal e nem o aluno”, completa.
    Outra crítica severa ao texto, como foi aprovado, são as brechas abertas para que essa montanha de recursos seja repartida pelo Governo nos diversos programas educacionais, incluindo os de financiamento de ensino, com linhas de crédito a juros subsidiados, que pode beneficiar o acesso a universidades privadas. O que, a priori, é positivo, é visto com desconfiança por algumas lideranças. “No final, só ajuda essas empresas de educação a ficarem mais lucrativas”, reclama o senador Cristovam Buarque, que já foi ministro da Educação no Governo Lula.
    Cara também teme essa distorção, uma vez que ao menos 40% dos alunos de cursos superiores estão atrelados a programas de financiamento a juros subsidiados do Governo. “Nos bastidores, já se fala que depois das empreiteiras se tornarem grandes financiadoras de campanha, é a vez das empresas de educação, além das petroleiras”, diz Cara.
    A preocupação com o lobby de empresas de educação é o fato de o setor educacional no Brasil ter hoje um número grande de companhias, atreladas a fundos de investimentos estrangeiros. Todas se beneficiam das linhas de crédito subsidiadas do Governo para aumentar o número de alunos. “O Brasil é o país com maior número de instituições de ensino superior com fim lucrativos do mundo”, diz Braga, da Hoper. Muitas delas vêm liderando os ganhos na Bolsa de Valores, como a Kroton, que tem comprado diversas faculdades que oferecem cursos a preços acessíveis, beneficiando principalmente a classe C, que voltou a estudar com a melhoria de renda nos últimos anos.
    Os representantes do setor devem pressionar para que as distorções sejam corrigidas na Câmara, para que o Brasil não desperdice mais uma década sem trabalhar pelo melhoria da qualidade do ensino. “Com esse plano, a educação não vai piorar. Mas vai melhorar na velocidade atual, ficando para atrás, diante do avanço de outros países”, afirma o senador Cristovam Buarque. A meta do Governo era que o Plano Nacional fosse aprovado com a volta dos trabalhos do Congresso, mas as lideranças do setor de educação querem adiar a votação para depois da Conferência Nacional de Educação, que ocorre de quatro em quatro anos, e está marcada para o dia 17 de fevereiro. A condução do plano certamente vai ser a pauta principal desse encontro que dura cinco dias.
    El País

    2014 CHEGA QUENTE NA POLÍTICA

    Na mídia nacional: Cássio é candidato; Nonato Bandeira coordenará campanha tucana

    Blogueiro revela que senador já tomou a decisão e escolha causa insatisfação em RC

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    O jornalista Mino Pedrosa, revelou nesta sexta-feira (3) em seu Blog no endereço, http://www.quidnovi.com.br, que o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) já decidiu disputar o Governo da Paraíba.

    De acordo com o blogueiro, Cássio teria escolhido o vice-prefeito de João Pessoa, Nonato Bandeira, para coordenar a campanha para o Palácio da Redenção.

    A candidatura de Cássio teria o apoio do presidenciável tucano Aécio Neves que terá garantido o palanque eleitoral na Paraíba e fortalecer a sua candidatura no Nordeste.

    Ele cita também que a decisão de Cássio estaria causando insatisfação no governador Ricardo Coutinho.

    Confira a nota na íntegra

    Palanque Garantido 

    O senador Cássio Cunha Lima decidiu mesmo disputar o governo da Paraíba. Até já escolheu o seu coordenador político, o vice–prefeito de João Pessoa, Nonato Bandeira. O candidato tucano ao Palácio do Planalto Aécio Neves, já conta com o palanque de Cássio para fortalecer sua candidatura no nordeste. Não satisfeito com toda essa movimentação política, o governador Ricardo Coutinho disparou pelo Twitter, “Fechamos em 2013 com o número bem inferior de homicídios que nos anos anteriores”, e atacou os governadores Cássio Cunha Lima e José Maranhão que também disputarão as eleições.

    MaisPB

    com blog do Mino Pedrosa 

    DURANTE A COPA, O TRUNFO SERÁ PAU

    Força Nacional terá 10 mil agentes para contenção de protestos na Copa


    Os integrantes dessa tropa de choque são policiais militares, civis e até bombeiros de vários Estados.

    O governo federal vai contar com 10.657 agentes de segurança para atuar no controle de protestos durante a Copa do Mundo de 2014. Esses agentes fazem parte da Força Nacional de Segurança Pública, uma espécie de tropa de choque subordinada ao Ministério da Justiça.
    Os integrantes dessa tropa de choque são policiais militares, civis e até bombeiros de vários Estados. Todos eles passaram por um treinamento para contenção de distúrbios civis. Portanto, estarão preparados para atuar em manifestações programadas para o Mundial.
    Parte desses agentes, inclusive, já atuou nos protestos realizados na Copa das Confederações e durante a Jornada Mundial da Juventude, ambos em 2013. Segundo o Ministério da Justiça, a Força Nacional está à disposição dos Estados. Pode ser utilizada sempre que um governador solicitar sua atuação ao governo federal.
    A Força Nacional existe desde 2004 justamente para dar apoio a governos estaduais quando há uma necessidade especial de segurança. Neste momento, 1.221 agentes da equipe estão trabalhando em diferentes locais do país.
    Na Copa do Mundo de 2014, todos os agentes estarão à disposição dos Estados-sede. A atuação deles em cada Estado será definida em conjunto com as forças estaduais.
    Na Copa das Confederações, cerca de 100 mil pessoas trabalharam na segurança e defesa do evento. Esse número leva em consideração os agentes de segurança privado, policiais e até membros das Forças Armadas.
    O evento foi marcado por uma série de protestos. A Sesge (Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos) estima que 864 mil pessoas participaram de atos realizados nas seis cidades-sede do torneio-teste da Copa do Mundo. Alguns desses atos foram coibidos com violência por policiais.
    O Ministério da Justiça informou que todas os agentes da Força Nacional foram treinados para contenção de protestos seguindo um protocolo estabelecido pela ONU (Organização das Nações Unidas). Segundo o governo, nenhuma investigação já apontou abusos na atuação de integrantes da Força Nacional.
    UOL
    WSCOM Online