sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

COLUNA BOQUEIRÃO


PREOCUPANTE
Professores não têm hábito de ler. Dado preocupa porque docente deveria transferir gosto pela leitura aos alunos
SEM SAÚDE (i)
Nove unidades de saúde já foram interditadas pelo CRM na PB em 2013. Última interdição aconteceu nesta quinta-feira (7) em Barra de Santana. Nenhuma das unidades interditadas conseguiu se regularizar.
SEM SAÚDE (ii)
Hospital de Barra de Santana está interditado. O Hospital Santa Ana, na cidade de Barra de Santana, na região metropolitana de Campina Grande, a cerca de 130 km de João Pessoa, foi interditado pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba, na manhã desta quinta-feira (7). O principal motivo da interdição ética foi a falta de médico nos sábados e domingos, além do período noturno, entre as quartas e sextas-feiras.

VOLTA AO PODER
Carlos Dunga deve assumir o cargo de deputado estadual. retorno de Dunga modificará a composição na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB).

 

MAGOADO

Prestes a assumir vaga na ALPB, Carlos Dunga revela mágoas com Cássio e Ricardo. Suplente de senador diz que faz dois anos que foi procurado pelos "aliados".

FESTA E SECA
TCE quer que prefeitos da área seca informem gastos com carnaval.
TAL PAI TAL FILHO
Filho de Renan usa verba da Câmara para pagar advogados do senador. Escritórios alagoanos que representam a dupla em demandas particulares já receberam ao menos R$ 190 mil do gabinete do deputado, que alega serviços de assessoria parlamentar.
JUSTO?
Salário de vice-prefeito de Saltinho é menor que o de pedreiro e motorista. Apenas 6 funções da administração tinham subsídio inferior ao do político. Prefeito tem vencimentos quatro vezes maiores que os ganhos do suplente.

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PREOCUPANTE


Professores não têm hábito de ler
Dado preocupa porque docente deveria transferir gosto pela leitura aos alunos

Menos da metade dos professores das escolas públicas brasileiras tem o hábito de ler no tempo livre. Dado evidencia falta de acesso a livros e gosto por leitura, que deveria existir para ser transferido aos alunos. A pesquisa foi feita pelo QEdu: Aprendizado em Foco , uma parceria entre a Meritt e a Fundação Lemann, organização sem fins lucrativos voltada para educação. Baseado nas respostas dadas aos questionários socioeconômicos da Prova Brasil 2011, aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e divulgados em agosto do ano passado, o levantamento mostra que dos 225.348 professores que responderam à questão, 101.933 (45%) leem sempre ou quase sempre, 46.748 (21%) o fazem eventualmente e 76.667 (34%), nunca ou quase nunca.

A questão pode estar ligada a falta de infraestrutura. "O número de professores que não leem é chocante, mas isso pode estar ligado ao acesso. É preciso lembrar que faltam bibliotecas e que um livro é caro. Um professor de educação básica ganha em média 40% menos que um profissional de ensino superior. Acho que faltam políticas de incentivo. Não acredito que seja apenas desinteresse", diz a diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Um levantamento divulgado em janeiro pelo movimento mostra que o Brasil precisa construir 128 mil bibliotecas escolares em sete anos para cumprir uma lei federal que vigora desde 2010. Segundo a pesquisa, faltam 128 mil bibliotecas no país. Para sanar esse déficit até 2020, deveriam ser erguidos 39 espaços por dia, em unidades de ensino públicas e particulares. Atualmente, a deficiência é maior nas escolas públicas (113.269), o que obrigaria a construção de 34 unidades por dia até 2020.

Para Priscila, uma possível solução seriam os livros digitais. O Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado) do Ministério da Educação distribui equipamentos tecnológicos nas escolas e oferece conteúdos e recursos multimídia.

Além disso, o governo facilita o acesso aos conteúdos por meio da distribuição de tablets, tanto para professores quanto para estudantes. No ano passado, o MEC transferiu R$ 117 milhões para 24 estados e o Distrito Federal para a compra de 382.317 tablets, destinados inicialmente a professores do ensino médio.

Sobre o acesso digital, os dados do levantamento do QEdu mostram que 68% dos professores (148.910) que responderam à pergunta usam computador em sala de aula. O estado com a maior porcentagem é Mato Grosso do Sul: 95% dos professores disseram que usam o equipamento. O Maranhão é o estado com a menor porcentagem (50,5%) de professores fazem o uso do computador. É lá também onde se constatou a maior porcentagem de escolas onde não há computadores: 38,3%. Estão no Sudeste, no entanto, as maiores porcentagens dos professores que acreditam não ser necessário o uso de computador nas salas: Minas Gerais (16%), Rio de Janeiro (15,4%) e São Paulo (15%).

O responsável pelo estudo, o coordenador de Projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins, diz que o país ainda tem problemas estruturais que dificultam o acesso a tecnologias. "Existem muitos desafios no país ligados a problemas de infraestrutura. Não apenas de acesso às máquinas, mas de acesso à internet, à qualidade dos sinais", disse.

Ao recepcionar o professor norte-americano, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ressaltou a importância dos meios digitais: “O conteúdo ao qual o filho dos mais ricos tem acesso pode ser dado aos menos servidos de educação. Queremos tornar a educação não algo escasso, mas um direito humano que todas as pessoas possam ter”, disse.
Agência Brasil
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MAGOADO


Prestes a assumir vaga na ALPB, Carlos Dunga revela mágoas com Cássio e Ricardo
Suplente de senador diz que faz dois anos que foi procurado pelos "aliados"

O ex-deputado federal e suplente de senador Carlos Dunga (PTB) falou, nesta terça-feira (05), sobre a expectativa de assumir o mandato na Assembleia Legislativa da Paraíba, nos próximos dias, em substituição a Genival Mathias (PTdoB), que pode perder o mandato, em face de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que validou os votos de Oswaldo Venâncio (Bado), referentes às eleições estaduais de 2010 e mudou o coeficiente eleitoral para o pleito daquele ano.

Em 2010, Bado disputou o cargo de deputado estadual, mas como teve a candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB), devido a então nova Lei da “Ficha Limpa”, seus votos não foram computados. No entanto, no dia 08 de novembro do ano passado o TSE validou seus votos. A mudança deve ocorrer por que com a validação dos votos de Bado, que disputou as eleições pela coligação PSL/PR, o coeficiente eleitoral para deputado estadual será mudado. Assim, a coligação do PTdoB, que conseguiu eleger apenas o deputado Genival Mathias, perde a vaga, que vai para Carlos Dunga, da coligação PTB/PP, que já tem a deputada Daniela Ribeiro (PP) eleita.

Na tarde de hoje, Dunga disse esperar que o acórdão do TSE seja publicado ainda esta semana, para assim o TRE-PB ser comunicado da decisão e posteriormente empossá-lo.
Indagado qual será sua postura na Casa de Epitácio Pessoa, Dunga disse que vai ouvir seus mais de 19 mil eleitores para se definir, mas revelou mágoas com o tratamento dispensado a sua pessoa pelogovernador Ricardo Coutinho (PSB) e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), os quais consideravam aliados.

Dunga disse que fez parte da aliança que ajudou eleger Ricardo e Cássio, mas no passar dos anos foi esquecido. “Vou ouvir meus eleitores e aliados. Não sei se serei da situação, espero a liderança do governo me procurar. Achava que era da situação, mas não sei se serei útil para o governo. Acho que eles não veem atrás de mim, até por que o governo tem dois anos e nem Cássio, nem Ricardo me procurou em nenhum momento”, desabafou.

Dunga também reclamou da postura do vice-governador Rômulo Gouveia (PSD). Segundo ele, Rômulo vai para a sua cidade, Boqueirão, e anda com o atual prefeito, João Paulo Segundo, filho do ex-deputado João Paulo (PMDB), “adversários de ferrenhos de Ricardo em 2010”. “O prefeito de Boqueirão foi quem mais trabalhou na cidade para derrotar o governador Ricardo Coutinho”, afirmou.

WSCOM Online
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SEM SAÚDE


Nove unidades de saúde já foram interditadas pelo CRM na PB em 2013
Última interdição aconteceu nesta quinta-feira (7) em Barra de Santana. Nenhuma das unidades interditadas conseguiu se regularizar.

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) já interditou nove unidades de saúde no estado em 2013. A nona interdição aconteceu nesta quinta-feira (7) no Hospital Santa Ana,  localizado na cidade de Barra de Santana, na região metropolitana de Campina Grande. Segundo a fiscalização do CRM, o principal motivo foi a falta de médico nos sábados e domingos, além do período noturno.

De acordo com o diretor de fiscalização do CRM-PB, Eurípedes Mendonça, nenhuma das unidades que foram interditadas eticamente em 2013 conseguiram regularizar sua situação junto ao órgão. “Essa é uma medida que nós não gostamos de tomar, porque prejudica a população e também os médicos que ficam impedidos de trabalhar. A interdição só ocorre quando as falhas encontradas nas inspeções são muito graves”, afirmou.

No caso de Barra de Santana, além do problema com a escala médica, o CRM também constatou que a única ambulância que serve o hospital está com a licença vencida há quatro anos. “Os pacientes estavam sendo transportados em carros comuns”, disse o diretor do Conselho. Na unidade também estavam faltando equipamentos básicos de emergência, como eletrocardiógrafo e desfibrilador, e não havia água na torneira do posto de enfermagem.
Segundo Eurípedes Mendonça, a escala médica incompleta já tinha sido flagrada pelo Conselho em inspeções anteriores, realizadas nos dias 13 de julho de 2011 e 4 de janeiro de 2012. “Na última fiscalização, o hospital recebeu o relatório e não tomou nenhuma providência”, destacou o diretor.

A interdição no Hospital Santa Ana, que é o único de Barra de Santana, começa a 0h desta sexta-feira. O CRM notificou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para que os pacientes sejam levados para unidade de saúde de outras cidades. O secretário de Saúde de  Barra de Santana, Jabel Júnior, admitiu que existem os problemas apontados pelo CRM no Hospital Santa Ana. Segundo ele, devem ser feitas contratações de médicos para solucionar a questão dos médicos. “Até amanhã vamos tentar resolver esse problema”, disse.
Com relação ao problema da ambulância, Jabel disse que a prefeitura está  buscando consertar um veículo que está com o motor quebrado, por ele ser mais nova, ao invés de regularizar o que está com o licenciamento atrasado.

Eurípedes Mendonça explicou que para as unidades que foram interditadas voltarem a funcionar elas precisam corrigir os problemas que foram apontados e informar ao CRM. Depois disso é feita uma nova inspeção para comprovar se elas de fato estão habilitadas para retomar o funcionamento normal.

Paraiba1
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JUSTO?


Salário de vice-prefeito de Saltinho é menor que o de pedreiro e motorista
Apenas 6 funções da administração tinham subsídio inferior ao do político. Prefeito tem vencimentos quatro vezes maiores que os ganhos do suplente.

O vice-prefeito de Saltinho (SP), Amarildo Firmino (PSDB), ganhava menos em 2012 que encanadores, pedreiros e motoristas contratados pela Prefeitura, segundo dados publicados no Diário Oficial de Piracicaba (SP) na terça-feira (5). Entre 2009 e 2012, o vice-prefeito ganhava R$ 1,2 mil, menos que motorista (R$ 1.263), monitor de creche (R$ 1.217), tratorista (R$ 1.263), pedreiro (R$ 1.523) e até encanador leiturista (R$ 1.217).  Ele ganhava menos, inclusive, que o prefeito Claudemir Francisco Torina (PDT), que recebia R$ 6,6 mil. 

No entanto, em  2013, os valores dos salários do vice e do prefeito foram alterados na Câmara de Saltinho. Hoje, o atual vice-prefeito Edilson Bressan (PDT) tem salário de R$ 1.980 por mês. Já o chefe do Executivo recebe R$ 8,6 mil, valor quatro vezes mais que o do suplente. Na administração direta de Saltinho, somente funcionários em seis funções receberam menos que o vice no período 2009 a 2012: copeira, auxiliar de encanador, porteiro, merendeira, jardineiro e zelador. Os salários do prefeito e do vice são definidos por meio de projeto elaborado pelo Executivo e votado pela Câmara, que estipula os vencimentos para o mandato seguinte.

Torina está no poder desde 2009 e, segundo a assessoria de imprensa do Executivo, não solicitou aumento para esta gestão. Na maioria das cidades da região, o salário do vice se aproxima ao pago a integrantes do primeiro escalão. Em Piracicaba, por exemplo, o subsídio do vice (R$ 7.775) equivale a 61% da remuneração do prefeito (R$ 12.678). Em Saltinho, a representatividade era de 18% até 2012 e, agora, é de 23%. A única obrigação do vice-prefeito, por lei, é a de assumir a chefia na ausência do prefeito. Em geral, o vice também atua na articulação política ou chefia secretaria. Em Saltinho não há secretarias, mas diretores das áreas da administração.

A relação oficial dos salários dos agentes políticos e servidores de Saltinho mostra os vencimentos mensais de 88 cargos, além dos valores pagos por hora de trabalho a professores e médicos da rede pública.

Explicação da Câmara
A Câmara de Saltinho informou, por meio de sua assessoria de imprensa na manhã desta quinta-feira (7), "que o salário do cargo representativo do vice foi reajustado para o exercício 2013-2016 durante sessão plenária do Legislativo em 2011".
Na mesma data, de acordo com a assessoria, foi definido que o valor recebido seria equiparado ao dos vereadores, de R$ 1.980. Já o salário dos outros servidores teve reajuste de acordo com a inflação do período.
G1
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SEM SAÚDE


Hospital de Barra de Santana está interditado
O Hospital Santa Ana, na cidade de Barra de Santana, na região metropolitana de Campina Grande, a cerca de 130 km de João Pessoa, foi interditado pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba, na manhã desta quinta-feira (7). O principal motivo da interdição ética foi a falta de médico nos sábados e domingos, além do período noturno, entre as quartas e sextas-feiras.

Além disso, a única ambulância que serve ao hospital está com a licença vencida há quatros anos, também não há enfermeiros em todos os plantões, faltam equipamentos básicos de emergência, como eletrocardiógrafo e desfibrilador, e não havia água na torneira do posto de enfermagem.
De acordo com o diretor de Fiscalização do CRM-PB, Eurípedes Mendonça, a escala médica incompleta já tinha sido flagrada pelo Conselho em inspeções anteriores, realizadas nos dias 13 de julho de 2011 e 4 de janeiro de 2012. “Na última fiscalização, o hospital recebeu o relatório e não tomou nenhuma providência”, destacou o diretor.

A interdição inicia a zero hora desta sexta (8 de fevereiro). O CRM orienta aos pacientes procurarem outros hospitais em caso de urgência e emerência. O Conselho também já notificou ao SAMU da cidade sobre a interdição do hospital, para que os pacientes sejam levados para outra unidade de saúde. Esta é a nona interdição ética realizada pelo CRM neste ano de 2013.
ParaíbaOnline
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PROFESSORES ENFERMOS


Pesquisador afirma que estrutura das escolas adoece professores
Para historiador da USP, sociedade critica todos os aspectos do cotidiano escolar, mas se esforça para mantê-los da mesma forma. Ele propõe discutir o “rompimento” das estruturas

“O ambiente escolar me dá fobia, taquicardia, ânsia de vômito. Até os enfeites das paredes me dão nervoso. E eu era a pessoa que mais gostava de enfeitar a escola. Cheguei a um ponto que não conseguia ajudar nem a minha filha ou ficar sozinha com ela. Eu não conseguia me sentir responsável por nenhuma criança. E eu sempre tive muita paciência, mas me esgotei.”
Estrutura escolar adoece professores e leva a abandono da profissão
O relato é da professora Luciana Damasceno Gonçalves, de 39 anos. Pedagoga, especialista em psicopedagogia há 15 anos, Luciana é um exemplo entre milhares de professores que, todos os dias e há anos, se afastam das salas de aula e desistem da profissão por terem adoecido em suas rotinas.
Para o pesquisador Danilo Ferreira de Camargo, o adoecimento desses profissionais mostra o quanto o cotidiano de professores e alunos nos colégios é “insuportável”. “Eles revelam, mesmo que de forma oblíqua e trágica, o contraste entre as abstrações de nossas utopias pedagógicas e a prática muitas vezes intolerável do cotidiano escolar”, afirma.
O tema foi estudado pelo historiador por quatro anos, durante mestrado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Na dissertação O abolicionismo escolar: reflexões a partir do adoecimento e da deserção dos professores , Camargo analisou mais de 60 trabalhos acadêmicos que tratavam do adoecimento de professores.
Camargo percebeu que a “epidemia” de doenças ocupacionais dos docentes foi estudada sempre sob o ponto de vista médico. “Tentei mapear o problema do adoecimento e da deserção dos professores não pela via da vitimização, mas pela forma como esses problemas estão ligados à forma naturalizada e invariável da forma escolar na modernidade”, diz.
Luciana começou a adoecer em 2007 e está há dois anos afastada. Espera não ser colocada de volta em um colégio. “Tenho um laudo dizendo que eu não conseguiria mais trabalhar em escola. Eu não sei o que vão fazer comigo. Mas, como essa não é uma doença visível, sou discriminada”, conta. A professora critica a falta de apoio para os docentes nas escolas.
“Me sentia remando contra a maré. Eu gostava do que fazia, era boa profissional, mas não conseguia mudar o que estava errado. A escola ficou ultrapassada, não atrai os alunos. Eles só estão lá por obrigação e os pais delegam todas as responsabilidades de educar os filhos à escola. Tudo isso me angustiava muito”, diz.
Viver sem escola: é possível?
Orientado pelo professor Julio Roberto Groppa Aquino, com base nas análises de Michel Foucault sobre as instituições disciplinares e os jogos de poder e resistência, Camargo questiona a existência das escolas como instituição inabalável. A discussão proposta por ele trata de um novo olhar sobre a educação, um conceito chamado abolicionismo escolar.
“Criticamos quase tudo na escola (alunos, professores, conteúdos, gestores, políticos) e, ao mesmo tempo, desejamos mais escolas, mais professores, mais alunos, mais conteúdos e disciplinas. Nenhuma reforma modificou a rotina do cotidiano escolar: todos os dias, uma legião de crianças é confinada por algumas (ou muitas) horas em salas de aula sob a supervisão de um professor para que possam ocupar o tempo e aprender alguma coisa, pouco importa a variação moral dos conteúdos e das estratégias didático-metodológicas de ensino”, pondera.
Ele ressalta que essa “não é mais uma agenda política para trazer salvação definitiva” aos problemas escolares. É uma crítica às inúmeras tentativas de reformular a escola, mantendo-a da mesma forma. “A minha questão é outra: será possível não mais tentar resolver os problemas da escola, mas compreender a existência da escola como um grave problema político?”, provoca.
Na opinião do pesquisador, “as mazelas da escola são rentáveis e parecem se proliferar na mesma medida em que proliferam diagnósticos e prognósticos para uma possível cura”.
Problemas partilhados
Suzimeri Almeida da Silva, 44 anos, se tornou professora de Ciências e Biologia em 1990. Em 2011, no entanto, chegou ao seu limite. Hoje, conseguiu ser realocada em um laboratório de ciências. “Se eu for obrigada a voltar para uma sala de aula, não vou dar conta. Não tenho mais estrutura psiquiátrica para isso”, conta a carioca.
Ela concorda que a estrutura escolar adoece os profissionais. Além das doenças físicas – ela desenvolveu rinite alérgica por causa do giz e inúmeros calos nas cordas vocais –, Suzimeri diz que o ambiente provoca doenças psicológicas. Ela, que cuida de uma depressão, também reclama da falta de apoio das famílias e dos gestores aos professores.
“O professor é culpado de tudo, não é valorizado. Muitas crianças chegam cheias de problemas emocionais, sociais. Você vê tudo errado, quer ajudar, mas não consegue. Eu pensava: eu não sou psicóloga, não sou assistente social. O que eu estou fazendo aqui?”, lamenta.
iG
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